Como foste
capaz

sobre dar tudo e não perceber como é que o outro foi capaz

A voz do
silêncio

sobre o que fica quando a presença desaparece

O espelho
de manhã

sobre levantar quando o amanhã não está garantido

Não há
meia verdade

sobre o que se diz, o que se faz, e a diferença entre os dois

O espaço
que custou

sobre afastar sem saber se o espaço vai ser aproveitado

Identidade
não é provar

sobre ter domínio suficiente para negar até o que é permitido

O que ficou
por dizer

sobre perceber o que se tinha quando já é tarde demais

O que se
carrega

sobre o peso que existe por baixo do que se mostra

O custo de
ser fiável

sobre o que se paga por nunca falhar quando os outros falham

Quanto
basta

sobre o ponto em que se percebe que já foi demasiado

Nunca vai
resultar

sobre querer o que se sabe que não pode ser

O que
se pede

sobre esperar uma verdade que nunca chega de frente

O que se perde
à espera

sobre quanto tempo se pode esperar antes de se perder a si próprio

O sorriso
que esconde

sobre sobreviver em silêncio quando ninguém lê o que está por baixo

Antes de
saber

sobre perder a ambiguidade que tornava tudo mais suportável

O sorriso
de costas

sobre o que aparece quando se para de gerir

Nem sei
o que sinto

sobre a falta que existe antes de haver nome para ela

Preferia que
doesse

sobre as respostas que nunca chegaram e o peso de ficar sem saber